quinta-feira, 18 de março de 2010

17 de março de 2007

Esta será apenas uma breve reflexão, umas daquelas típicas filosofias de janela de ônibus (para quem, como eu, não sai de um veículo desses). Acontece o seguinte: eu não acredito em destino, mesmo. Não sei, talvez não aprecie a ideia de confiar que algo assim pudesse significar que eu devesse fechar minha mente para inúmeras hipóteses – ou não – que eu tivesse que deixar a vida me levar - ou não - e que simplesmente as coisas aconteceriam não por mérito meu, mas porque eram para ser assim – ou não. De qualquer forma, conviver com tantas dúvidas e trabalhar com concretização de planos que podem estar traçados antes mesmo de eu sequer pensar neles não é algo que pessoalmente me agrada.
Mas sabe o que me impede mesmo de acreditar em destino? O fato de ter que justificar a isso – e somente a isso – situações como a nossa, onde temos tudo, sem hipérboles, para estarmos separados, mas permanecemos aqui, juntos, unidos – de um jeito ou de outro. Não quero atribuir à minha história de vida traçada a condição de ter você (só) para mim; o porquê de nós sermos tão unicamente estúpidos ao ponto de brigar tanto e complicar tudo, mas ao mesmo tempo incrivelmente singulares na arte de colocar o que sentimos acima de qualquer (qualquer!) outra coisa é algo que eu não quero merecer à situações cotidianas ou a atos (im)pensados de nossa parte.
Nós nos amamos e é por isso que hoje, três anos depois do primeiro beijo, estamos aqui. Não é porque os outros acham que você merece coisa melhor que você passou a me ignorar; não é porque meus pais acham que sou em demasia nova para me envolver seriamente com alguém que eu julguei terminar com você como sendo a melhor hipótese; não é (e jamais será) por vontade alheia, por torcida contrária ou por situações adversas que um dia, e sem pensar em voltar atrás, vamos falar em coro algo como ''desisti de você'' – frases assim já excluímos do nosso vocabulário desde a primeira tentativa vã de separação.
Hoje eu tenho absoluta certeza – e isso foi conclusão sua – de que não importa onde quer que a gente vá... No fim, vamos acabar sentados em um banco de shopping, analisando tudo que passamos e pensando algo como ''olha, nós bem que tentamos, mas não tem jeito: a gente só funciona se 'você e eu' existir''. Porque, escuta, podemos ter tudo contra nós: os horários que não batem para nos vermos, as pessoas que nos olham com desgosto, um mundo inteiro para enfrentar até alcançarmos o futuro (futuro, sim; destino, pra quê pensar nisso?) que planejamos juntos... Mas, mesmo com tudo isso, ainda acho que tiramos sorte grande: a gente se tem, meu amor. E isso nos faz só as pessoas mais felizes que podemos ser.

terça-feira, 16 de março de 2010

Além do que se vê

Faço questão de adiantar, antes que pensem o contrário, que pouco me agrada a necessidade de estar me explicando a cada momento; é cansativo tentar expor o seu ''eu'' a pessoas que pouco fazem questão de vê-lo. Em todo caso, observações assim ainda se fazem necessárias: estou tão cercada de olharem julgadores que, se eu for deixar as pessoas tomarem conclusões próprias a todo o momento, me tornarei apenas um conjunto de pedra sobre pedra. Acho incrível e perturbadora a capacidade de tentarem me entender – não se iludam, meus caros, mas sequer eu mesma consegui tal feito.
Não parta para mim com argumentos prontos de quem acha que compreende minhas ações e minhas inquietudes, porque isso seria nada mais que engano de sua parte – ninguém, absolutamente ninguém, tem o poder de saber mais de mim que eu própria e, ainda assim, não descobri nem um terço daquilo que me forma. Parem de tentar prestar atenção nas minhas atitudes, porque muitas delas são reflexos de outras tantas daqueles que me cercam – afinal, não sou e nem serei a primeira maluca a tentar agir sozinha em um mundo em que cada vez mais dependemos uns dos outros. E, mesmo partindo desse preceito, não me considero falsa ou contraditória; eu posso até chegar à falta de limite de me trair em atitudes, mas jamais me trairei em palavras.
Não é porque eu não lhe trago flores e lhe encho de afagos que eu não lhe amo, não é porque eu não lhe telefono que eu lhe esqueci e, por Deus, o fato de eu nem sempre demonstrar esforço não quer dizer que eu não queria. Acredito, acima de gestos e feições, no poder das palavras. Não sou do tipo clássico ''me conquiste com provas e atitudes'' – eu me provo e me faço presente em textos e discursos e peço que confie neles, porque (me) explicar e detalhar tudo quanto fosse possível é o poder que me foi cabido. Então, se eu peço que me perdoe, é porque eu realmente sinto muito; se eu decido que quero algo, não analise os meios, mas espere, porque chegarei os fins; se eu venho até aqui me expor, não olhe meu rosto infantil ou minhas atitudes birrentas – se concentre nas frases, na coesão de apelos, talvez vãos, de quem cansou de ser analisada, mas que nunca foi ouvida.

ps.: título devidamente surrupiado da música da (minha amada, idolatrada, salve, salve) banda Los Hermanos.

sábado, 13 de março de 2010

Vamos todos errar hoje?

Tem lições que a gente demora a aprender por pura falta de atenção – elas estavam ali, paradas bem à sua frente, tentando lhe explicar que não é assim que se vive, que não deve se valer dessas amizades fulas, que amor é amor e não adianta lutar contra isso. Mas acontece que você, como bom ser humano teimoso e metido a independente que é, insiste em partir por caminho próprio, sem uma vírgula de opinião alheia.
Aí quebra a cara. Quebra o coração. É diminuído, inferiorizado e comete erros brutais que vai, sim, ter que carregar na consciência por um tempo que se sabe lá qual vai ser. Você começa a acordar todas as manhãs não como aquele ser puro e sem uma gota de conhecimento prévio que era antes; agora, mais do que nunca você entende o que é ser uma pessoa ''com experiência''. E, olha só, você vai aprendendo do jeito mais difícil, mas ainda assim da melhor forma, a como olhar situações a quilômetros de distância de você e saber se vale a pena – porque não, nem tudo vale a pena, não se enganem. Não me venham com aquele papo de ''toda experiência é válida''; vamos todos ser 100% sinceros ao menos uma vez na vida e admitir logo que há ao menos um pontinho negro na nossa existência que não nos ia fazer a menor falta. Mas, no fim, você chega à conclusão mais óbvia de todas e que normalmente é a mais difícil de se perceber: errar é bom, muito bom. Tenho certeza que não estou tratando de nenhuma novidade, mas é sempre bom repetir, porque temos uma tendência a esquecer tudo que nos é útil: às vezes, errar é tudo.
É por essas e outras que eu decidi: vou me jogar. Vou me jogar. E se, lá embaixo, no fundo disso tudo, tiver algo ou alguém pra me segurar, bom para mim. O fato é: eu não fico parada. Não aqui. Não agora.
Nunca mais.