Ela vira de lado para olhar aquela feição que ele produz de quem está ao lado por um grandioso motivo, mesmo tendo tantos outros para faltar. E, sabe, gratidão e respeito às lembranças é algo que poucos aceitam e dão o valor como em tal caso: foram noites ao telefone, as mesmas frases ditas ao mesmo tempo, as reflexões absurdas e planos traçados detalhadamente sentados à calçada... Seria de tamanho anarquismo ignorar tais fatos em virtude de um erro aqui e outro mais atrás – em função de vilões, de distância, de tempos que merecem ser superados. Ela olha e pensa: ''E no meio dessa face concentrada, dessa postura armada... Onde ficou o sentimento?''. E, como quem sabe que não pode mais ignorar e fingir que não sente o peso de um pensamento, ele a olha de volta; ele olha, porque já não agüenta mais segurar as ações, por muito instintivas, que cada um deles tentava impedir com a força de vontade que não tinham.
- Não acho que seja pedir demais... Apenas não faça isso comigo.
- Pois eu te digo que pode me pedir qualquer coisa, que tentarei; eu tentarei, porque essa vida de quem desiste antes de começar já me está fatigada. Só não me peça para ficar longe.
- Mas nesse caso, se ignora o peso das palavras? Logo elas, que dizem tudo?
- E quem nesse mundo há de se prender em coisas leves e perecíveis como as palavras? Ainda mais quando nos esbarramos em sensações como essa, de ficar assim, só você e eu. Palavras... Se esse for o preço a pagar, esqueço tudo o que me foi dito.
- E eu? Esqueço o que não me foi dito?
- Não vejo motivo para lembrar o que faltou diante da ânsia de tudo aquilo que ainda pode vir.
- O tempo, talvez. O tempo.
- Eu espero... Eu te espero.
Continua...
- Não acho que seja pedir demais... Apenas não faça isso comigo.
- Pois eu te digo que pode me pedir qualquer coisa, que tentarei; eu tentarei, porque essa vida de quem desiste antes de começar já me está fatigada. Só não me peça para ficar longe.
- Mas nesse caso, se ignora o peso das palavras? Logo elas, que dizem tudo?
- E quem nesse mundo há de se prender em coisas leves e perecíveis como as palavras? Ainda mais quando nos esbarramos em sensações como essa, de ficar assim, só você e eu. Palavras... Se esse for o preço a pagar, esqueço tudo o que me foi dito.
- E eu? Esqueço o que não me foi dito?
- Não vejo motivo para lembrar o que faltou diante da ânsia de tudo aquilo que ainda pode vir.
- O tempo, talvez. O tempo.
- Eu espero... Eu te espero.
Continua...