quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Dos nossos momentos - que revivem, que retornam

Ela vira de lado para olhar aquela feição que ele produz de quem está ao lado por um grandioso motivo, mesmo tendo tantos outros para faltar. E, sabe, gratidão e respeito às lembranças é algo que poucos aceitam e dão o valor como em tal caso: foram noites ao telefone, as mesmas frases ditas ao mesmo tempo, as reflexões absurdas e planos traçados detalhadamente sentados à calçada... Seria de tamanho anarquismo ignorar tais fatos em virtude de um erro aqui e outro mais atrás – em função de vilões, de distância, de tempos que merecem ser superados. Ela olha e pensa: ''E no meio dessa face concentrada, dessa postura armada... Onde ficou o sentimento?''. E, como quem sabe que não pode mais ignorar e fingir que não sente o peso de um pensamento, ele a olha de volta; ele olha, porque já não agüenta mais segurar as ações, por muito instintivas, que cada um deles tentava impedir com a força de vontade que não tinham.

- Não acho que seja pedir demais... Apenas não faça isso comigo.

- Pois eu te digo que pode me pedir qualquer coisa, que tentarei; eu tentarei, porque essa vida de quem desiste antes de começar já me está fatigada. Só não me peça para ficar longe.

- Mas nesse caso, se ignora o peso das palavras? Logo elas, que dizem tudo?

- E quem nesse mundo há de se prender em coisas leves e perecíveis como as palavras? Ainda mais quando nos esbarramos em sensações como essa, de ficar assim, só você e eu. Palavras... Se esse for o preço a pagar, esqueço tudo o que me foi dito.

- E eu? Esqueço o que não me foi dito?

- Não vejo motivo para lembrar o que faltou diante da ânsia de tudo aquilo que ainda pode vir.

- O tempo, talvez. O tempo.

- Eu espero... Eu te espero.

Continua...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Da tua mudez - que me dói, me dói

- Na hipótese de dúvida, eu estou aqui.
- Não que eu não veja: te olho, te sinto, te abraço e te... E me estanco no ímpeto do beijo. Somente, e não que seja pouco, não acredito mais em você.
- Ainda assim, vale a observação que tanto me tortura: ainda precisa de mim?
- Acontece que se fosse entrar nessa pergunta, diria que sim. Então, foi hoje que decidi não atravessar mais a linha. É nesse momento que chego partindo, que ouço sem te escutar... Que não falo.
- E fica de fora, sem nada sentir?
- E fico calado, embora sentindo.

Continua...

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Meu momento nada poético

Olha, eu não gosto de fazer aniversário. Sério, não é charminho: isso de acordar com todo mundo me beijando, receber mil telefones de parentes que não vejo há anos, ter que responder inúmeros scraps no orkut de gente que eu nem lembrava que tinha adicionado, fingir por consideração que gostei do presente que ganhei da minha tia pegajosa... Sabem essas e todas as outras convenções que a sociedade insiste em introduzir em um dia que deveria acontecer só coisas que me agradassem? Eu dispensaria todas com um sorriso no rosto. Mas o que acontece é que, eu querendo ou não, o dia 21 de março sempre chega.
É, eu faço aniversário daqui um mês. Daí vem a pergunta: estou me lamentando por antecipação? Não. Acontece que, como eu disse, é daqui exatamente um mês, o que só pode significar uma coisa: hoje começa o meu inferno astral. Talvez seja meio capenga acreditar nessa coisa de signo e cosmos, mas, ah, os astros nunca mentiram para mim: se disserem que vou ter uma péssima semana, posso me preparar que não vem coisa boa; se disserem que vou ter uma chance que não deve ser desperdiçada, eu abro bem o olho para tudo ao meu redor. O negócio é que, sendo verdade ou ilusão, o inferno astral sempre marca presença na minha vida.
Não que tudo vá dar errado até o mês que vem. Só que, desde a meia-noite, me bateu uma coisa estranha: uma não-continuidade de ações, uma inquietude... Eu já sou assim naturalmente, ok, mas agora multiplique por mil a intensidade disso em dias normais e terá, tchanram, o que acontece comigo hoje. Não consigo escrever nada que se aproveite – o que me lembra: porque mesmo eu me atrevi a publicar esse texto? – não consigo ler os meus livros de faculdade, não paro cinco minutos na frente da tv, fico comendo sem sentir fome... Enfim: hoje, ''insatisfação'' é o meu segundo nome – logo depois de ''mau-humor'', vale constar.
Se dessa vez essa coisa toda vai durar até o dia do meu aniversário eu não sei. Sinceramente, espero que não: se continuar assim, até o fim dessa semana eu vou ter uns cinco quilos a mais e nenhuma pessoa com coragem suficiente para chegar a menos de um raio de um quilômetro de mim. Ou talvez eu devesse esquecer isso e me focar em planejar algo para a comemoração dos meus tão esperados dezoito anos, que vai ser em um domingo – por acaso ou não, o dia que menos gosto na semana. Ou, quem sabe ainda, eu devesse mesmo era me torturar até conseguir fazer os meus trabalhos que, por sinal, são todos para amanhã. Que seja. Só deixo aqui meu último apelo: Deuses, planetas, cosmos, constelações... Se vocês puderem me ouvir, eu humildimente peço: peguem leve comigo, ok? Eu ficaria grata.