quarta-feira, 5 de maio de 2010

Surrupiado

- O que você vai ser quando crescer?
- Bom, penso que vou cursar uma faculdade. Vou viajar o mundo todo, casar com um homem bem bonito e ter um casal de filhos. E você, o que vai ser quando crescer?
- Eu? Vou ser uma dessas universitárias que não sabem bem o que querem da vida, vou decepcionar os meus pais seguidas vezes, vou partir o coração de todos os homens que se apaixonarem por mim, vou me afundar em um drama patético demais mesmo que minha vida fosse novela mexicana... E, no fim, acabarei as minhas noites de modo qualquer, olhando o teto do meu quarto, ouvindo uma música em inglês que não sei a tradução e pensando: ''Como vim parar nesse mundo? E como faz pra sair daqui?''.

domingo, 2 de maio de 2010

É, a gente se merece...

Não é proposital, eu sei – mas está certo que você está comigo a todos os momentos, exceto quando eu realmente preciso de ti, que é onde muitas vezes falha. Acontece que você o único em que eu confio para tais coisas urgentes – e aí mora o meu erro: lhe dar esse título, lhe conceder o poder de ser ''único'' em alguma coisa na minha vida. E me vens e me tomas em seus braços com esse papo de ''me perdoa'', que sabes que no fundo é a máscara para o ''errei e continuarei errando simplesmente por não saber fazer o que é certo''.
Onde nesse mundo se acha alguém que não seja tão insubstituível (como você é)?

Metade de mim está vivendo no passado. Dedico-me a vasculhar nossos instantes menos perfeitos na busca infinita de qualquer recaída sua - coisa que, eu sei, dificilmente encontrarei. Ainda assim, ao invés de mergulhar na perfeição do instante, não sai de mim a mania inoportuna e pouco saudável de sempre pensar em ''mas se lembra quando você...?''. Não, ele não se lembra mais. Eu deveria fazer o mesmo.
Mas onde há nessa vida alguma placa indicativa para ''seguir em frente (sem mágoas, sem fantasmas)''?

Mas é o que dizem: a nossa necessidade de sempre desejar alguém que não nos merece é diretamente proporcional à necessidade de outro alguém de nos desejar, mesmo merecendo coisa melhor.

Só estou pagando o meu preço assim como você o seu, meu bem. E é assim que a gente se vira muito bem - ou alguém aí já viu grandes amores sem grandes esforços?

sábado, 1 de maio de 2010

Pra ser sincera

Só deixe que eu atue como dona da minha verdade: sou por vezes vista como a estranha, a rainha de dramas cotidianos – não percebem em mim, apenas e infelizmente, o arranjo a tornar essa vida algo mais que essa aceitação de fatores incomuns. Não penso em minimizar as situações ou até mesmo em perder a chance de vangloriar qual atitude que seja: não deixo escapar um instante sequer. Vejo sempre o máximo, o drástico, o mais forte que cada caminho me oferece – se tratas isso simplesmente como a inclinação a enaltecer o descartável, ainda não aprendeu a singularidade das coisas. Vejo a vida como um agrupamento, sim, de condições inclináveis a uma direção que, vai saber, não é exatamente o que desejo para mim e para quem mais eu puder levar junto. Comigo, nada é simples, nada é indiferente. Talvez por isso eu sofra mais, reclame mais, sinta mais, enxergo mais... Sou mais, muito mais, um exagero. Tudo bem, não me importo.

Mas que não é fácil, não é mesmo.