Nós – eu, você, as pessoas – somos do tipo domados por um peso de consciência que às vezes nos impede de fazer o que lá no fundo de nossa alma verdadeiramente desejávamos. Pois tendo em vista esse infortúnio detalhe, vou segurar uma plaqueta onde há escrito ''dane-se todo o resto'', olhar no seu rosto de anseios e resumir todo o sentimento que há mim em uma só palavra: fique.
Sei bem que está lutando para ir – não porque necessariamente deseja, mas porque lhe chamam. A vida está aí, lhe apresentando um coquetel das melhores sensações a serem provadas; você vai tomar o primeiro gole, achar bom e logo estará embriagado pelo poder que as situações têm de nos distrair, de nos desviar de caminhos. É exatamente nesse seu momento, o qual eu observo de longe, que me pergunto: onde, na sua história, ainda me cabe? Será que o meu espaço diminuiu aí dentro, nesse seu coração? Ou fui eu que cresci demais e precisei ocupar um lugar que não pertence a mim?
Chame de egoísmo, se quiser; chame de obsessão, de ilusão, de pura insistência de adolescente que não suporta ser contrariada. Chame até de exagero, mas antes disso entenda o meu medo de quem já lhe perdeu tantas vezes para outros, para as circunstâncias, que seria extremamente previsível uma tentativa, ainda que absurda, de evitar mais uma despedida para a nossa coleção. Portanto, chame como quiser, mas ouça como eu denomino todo esse conjunto de interrogações que me habita: amor. Não tão puro quanto eu gostaria; um amor sofrido, carregado anos a fio por um corpo cansado e sem estrutura para abarcar tanta felicidade e tristeza espremida em um só vocábulo de quatro letrinhas... Mas, ainda assim, é amor. E é por isso – e saiba que é motivo mais que suficiente – que eu lhe faço esse apelo: fique.
Fique, porque ter você aqui, mas não ter você comigo, é pedir que eu tenha uma força sentimental que jamais caberá a mim. E veja bem que em nenhum momento eu faço uso de palavras que não cabem no momento: não disse que o desejo só para mim, agora. Sou modesta até o ponto que a minha intuição permite e lhe jogo esse pedido sem nenhuma restrição: seja em um telefonema de fim de noite, em uma mensagem de ''estou com saudades'', em encontros programados a muito custo: só se faça presente nas nossas raras manhãs de folga, nos sábados de alívio, nos domingos que sempre tiveram cara de nossas conversas, porque eu preciso saber que anda posso continuar a sentir você, sem culpa, todo dia - da hora que acordo, durante o dia que se passa, no momento em que durmo, nos sonhos que tenho, como em um ciclo de quem vive não por um ''eu'', mas por um ''nós''.
Fique.
Sei bem que está lutando para ir – não porque necessariamente deseja, mas porque lhe chamam. A vida está aí, lhe apresentando um coquetel das melhores sensações a serem provadas; você vai tomar o primeiro gole, achar bom e logo estará embriagado pelo poder que as situações têm de nos distrair, de nos desviar de caminhos. É exatamente nesse seu momento, o qual eu observo de longe, que me pergunto: onde, na sua história, ainda me cabe? Será que o meu espaço diminuiu aí dentro, nesse seu coração? Ou fui eu que cresci demais e precisei ocupar um lugar que não pertence a mim?
Chame de egoísmo, se quiser; chame de obsessão, de ilusão, de pura insistência de adolescente que não suporta ser contrariada. Chame até de exagero, mas antes disso entenda o meu medo de quem já lhe perdeu tantas vezes para outros, para as circunstâncias, que seria extremamente previsível uma tentativa, ainda que absurda, de evitar mais uma despedida para a nossa coleção. Portanto, chame como quiser, mas ouça como eu denomino todo esse conjunto de interrogações que me habita: amor. Não tão puro quanto eu gostaria; um amor sofrido, carregado anos a fio por um corpo cansado e sem estrutura para abarcar tanta felicidade e tristeza espremida em um só vocábulo de quatro letrinhas... Mas, ainda assim, é amor. E é por isso – e saiba que é motivo mais que suficiente – que eu lhe faço esse apelo: fique.
Fique, porque ter você aqui, mas não ter você comigo, é pedir que eu tenha uma força sentimental que jamais caberá a mim. E veja bem que em nenhum momento eu faço uso de palavras que não cabem no momento: não disse que o desejo só para mim, agora. Sou modesta até o ponto que a minha intuição permite e lhe jogo esse pedido sem nenhuma restrição: seja em um telefonema de fim de noite, em uma mensagem de ''estou com saudades'', em encontros programados a muito custo: só se faça presente nas nossas raras manhãs de folga, nos sábados de alívio, nos domingos que sempre tiveram cara de nossas conversas, porque eu preciso saber que anda posso continuar a sentir você, sem culpa, todo dia - da hora que acordo, durante o dia que se passa, no momento em que durmo, nos sonhos que tenho, como em um ciclo de quem vive não por um ''eu'', mas por um ''nós''.
Fique.