sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Breve perspectiva sobre o que virá

Fim de ano é uma das poucas coisas que ainda conseguem mexer comigo como se uma nova contagem de meses fosse mudar alguma coisa, mesmo que eu saiba que a diferença de um só dia não muda nada: os problemas continuam presentes como se não tivessem causas passadas, as pessoas continuam nos decepcionando e música sem graça de todos os anos toca naquelas lojas abarrotadas de gente comprando os presentes de última hora. Mas mesmo assim, aqui dentro de mim existe uma parte que nunca deixa de ser ingênua e que cria mil expectativas de como as coisas (sempre) podem ser melhores. Todo ano é sempre a mesma ilusão: penso que será diferente se eu quiser que seja e que a vida está renascendo, me entregando de bandeja uma nova chance de limpar o passado e construir um presente do qual eu me orgulhe mais. Nunca é: sempre aconteceu essa mesma dança de erros sendo valsada em um looping infinito de lamentações, mil palavras de desagrado que ficam me envenenando meses a fio e me privando de tudo que de bom venha a acontecer. Tristeza cega a qualquer um, até mesmo aos mais seguros ou independentes. Ninguém aprendeu a viver passo a passo com tanta dor e onze meses depois eu me pego perguntando o que fiz do tempo que passou e por que motivo não fiquei satisfeita. O motivo está escrito a sangue na parede: porque eu não quis. Porque. Eu. Não. Quis. Porquenãoquis, assim falado depressa, para ver se fica menos ridículo de se ouvir. Porque, pasmem, não fiquei satisfeita, não fiquei feliz ou alegre o tempo todo, não sorri todos os dias porque eu simplesmente não quis. Motivos eu tive de sobra. Incentivo nunca me faltou. Vontade eu até tenho, sinceramente. Coragem... O motivo sempre me foi a coragem. Ou a falta dela. Repetidas vezes eu já justifiquei minha melancolia como um ato de coragem que é preciso para se ser triste, mas o que sempre me sobrou, de verdade, foi um medo danado de ser feliz. Medo de conquistar coisas boas, de me unir a pessoas maravilhosas, de ser gentil com quem merece e de por uma pedra no que nada me acrescenta. Me falta mesmo é coragem para assumir que eu tenho tudo o que eu preciso e não sei aproveitar. Me falta mesmo é revigorar essa chance linda que eu tenho e que ponho fora todos os dias, quando escolho me afundar em reclamações sem fundamento. E hoje, por algum motivo, eu tive um súbito de auto-compaixão e decidi: não mais. Nem que eu tenha que relembrar quão covarde eu sou, todos os dias. Nem que eu sofra muito para não sofrer mais. Nem que a vida me bata muito para eu nunca esquecer o que é uma dor de verdade. Porque por mais que falte a coragem, a gente cansa de ser essa coisa pesada e desnecessária, esse ser humano descartável, isso que não respeita nem a si mesmo.
Cansei de desperdiçar os meus sonhos, não quero mais viver a decepção de não cumprir as minhas próprias promessas. O ano ainda não acabou, mas já sei o que espero daquele que não tarda muito e virá: novo, tudo novo. Todas as coisas e, se possível, as pessoas. Até eu mesma.

6 comentários:

  1. Gosto de textos assim. Densos, sinceros e honestos. Daqueles que botam pra fora todos os nossos sentimentos entalados. Faz bem. Espero que você fique bem, que as coisas se renovem e você possa ter orgulho do seu 2012 quando terminar. Um pouco de otimismo as vezes vai bem.
    Beijos!

    ResponderExcluir
  2. Ai, eu não sou de ficar criando expectativas para o próximo ano, sabe?! Não gosto de finais de ano, não gosto de mudanças...mas 2011 foi puxado e eu não via a hora desse final chegar...quero janeiro imediatamente e assim como vc, quero o novo. Tudo novo e muita coisa boa. Preciso, muito!

    Tudo de melhor pra vc, querida mafiosa!

    Beijos!

    ResponderExcluir
  3. Adoro esses teus textos que eu sempre acabo me identificando. Que 2012 seja melhor pra todos nós.

    ResponderExcluir
  4. De fato, o que você escreveu tem muito sentido e coerência... Nós planejamos tanto, sonhamos tanto e esquecemos de colocar nossos desejos e sonhos em prática... Ficamos apenas vivendo e esperando os dias passarem para, no próximo ano, acontecer do mesmo jeito.

    Parabéns...

    Vooc é de mais!

    ResponderExcluir
  5. Que em 2012 jamais nos falte coragem para ser feliz!! E eu sei que você foi sim, pelo menos quando fez xixi de tanto rir duas vezes! Máfia, máfia!!

    ResponderExcluir
  6. Medo também sempre foi (e ainda é) meu maior inimigo. Mas a gente vai vencendo ele aos pouquinhos. Feliz Deyse nova, então! Mas deixa separado um pouco dessa velha, porque ela me faz rir demais e isso não deve ser esquecido.
    Beijo!

    ResponderExcluir