Escuta, doutor, eu trago comigo um problema. Claro que eu tenho mais de um único problema, mas acontece que eu sou meio extremista: prefiro dizer que tenho um problema a dizer que tenho inúmeros deles – otimismo sempre é bom, ainda que seja só de fachada. De qualquer maneira, eu tenho isso, essa coisa dentro de mim que vem me cutucando o pensamento e, não vá rir, mas eu tenho medo, doutor: tenho medo de me perturbar tanto e eu nunca saber o que fazer com isso até que vai chegar o dia onde, adeus, passou o tempo de tratar o assunto como devia e agora já foi, não tem mais jeito Não sei, não me pergunte o que é, porque eu vim aqui justamente na esperança que o senhor me diga: é normal?
Vou logo deixando claro que não tenho qualquer precedente que pudesse me tirar a paz: tenho uma vida tranqüila... Certo, nada de vida tranqüila. Tenho dias corridos, mas ainda assim leves como o vento frio que eu sinto todo dia ao acordar. Tenho meus estudos diários, que você pode entender como leituras pendentes formando uma pilha da altura da Torre Eiffel – não que eu já tenha ido a Paris, mas um dia quem sabe. Além disso, me alimento muito bem, durmo 8 horas por dia e tenho um relacionamento amoroso que anda fazendo muito bem à minha pele e ao meu cabelo. Entendeu onde eu quero chegar? Simples: no meio da minha rotina toda pomposa, onde caberia essa sensação de incômodo, que vem me alterando a paciência dia após dia?
Não foi isso que eu disse. Não acho nada perfeito, pelo contrário; vejo que tudo que eu consegui até hoje é muito pouco diante do mundo que eu imagino para mim – o meu mundo, decorado por pura literatura e algum rock inglês tocando ao fundo. Me falta muito, doutor, mas não é o fato de ainda (ainda!) não ter atingido o ápice da minha pirâmide de desejos que me causa essa inquietude; não, é mais fundo que isso – mais forte? Não sei; mas lhe garanto, infelizmente, que essa compressão talvez tenha ultrapasso os limites do meu peito e agora se fazem de vendas nos meus olhos: não vejo mais as coisas da mesma forma que eu via antes – agora tudo é mais simples e isso me intriga de uma forma que você não imagina.
Eu sei que não faz sentido e que às vezes é bom se ter essa inquietude para que você sempre procure evoluir, sempre procure mais, procure ser mais. Então, não me venha com essas conclusões mágicas que eu claramente posso alcançar sozinha, porque o que se passa dentro de mim é muito mais que uma confusão mental que nunca me abandona. O que eu carrego comigo é mais intrigante: não sei se é bom, não sei se é ruim, mas eu garanto que está me deixando acesa, me deixando em alerta. É a minha intuição que está ligada, doutor. Não estou acostumada com tanta moleza, com tanta vontade seguida de repetir ao mundo ''como eu estou feliz!''. De qualquer forma, estou curtindo: um olho aberto, sempre em vigília, e o outro fechado, só observando a beleza que carrego dentro de mim.
Vou logo deixando claro que não tenho qualquer precedente que pudesse me tirar a paz: tenho uma vida tranqüila... Certo, nada de vida tranqüila. Tenho dias corridos, mas ainda assim leves como o vento frio que eu sinto todo dia ao acordar. Tenho meus estudos diários, que você pode entender como leituras pendentes formando uma pilha da altura da Torre Eiffel – não que eu já tenha ido a Paris, mas um dia quem sabe. Além disso, me alimento muito bem, durmo 8 horas por dia e tenho um relacionamento amoroso que anda fazendo muito bem à minha pele e ao meu cabelo. Entendeu onde eu quero chegar? Simples: no meio da minha rotina toda pomposa, onde caberia essa sensação de incômodo, que vem me alterando a paciência dia após dia?
Não foi isso que eu disse. Não acho nada perfeito, pelo contrário; vejo que tudo que eu consegui até hoje é muito pouco diante do mundo que eu imagino para mim – o meu mundo, decorado por pura literatura e algum rock inglês tocando ao fundo. Me falta muito, doutor, mas não é o fato de ainda (ainda!) não ter atingido o ápice da minha pirâmide de desejos que me causa essa inquietude; não, é mais fundo que isso – mais forte? Não sei; mas lhe garanto, infelizmente, que essa compressão talvez tenha ultrapasso os limites do meu peito e agora se fazem de vendas nos meus olhos: não vejo mais as coisas da mesma forma que eu via antes – agora tudo é mais simples e isso me intriga de uma forma que você não imagina.
Eu sei que não faz sentido e que às vezes é bom se ter essa inquietude para que você sempre procure evoluir, sempre procure mais, procure ser mais. Então, não me venha com essas conclusões mágicas que eu claramente posso alcançar sozinha, porque o que se passa dentro de mim é muito mais que uma confusão mental que nunca me abandona. O que eu carrego comigo é mais intrigante: não sei se é bom, não sei se é ruim, mas eu garanto que está me deixando acesa, me deixando em alerta. É a minha intuição que está ligada, doutor. Não estou acostumada com tanta moleza, com tanta vontade seguida de repetir ao mundo ''como eu estou feliz!''. De qualquer forma, estou curtindo: um olho aberto, sempre em vigília, e o outro fechado, só observando a beleza que carrego dentro de mim.
"Então, não me venha com essas conclusões mágicas que eu claramente posso alcançar sozinha, porque o que se passa dentro de mim é muito mais que uma confusão mental que nunca me abandona."
ResponderExcluirGostei demais. Intrigante!
Gostei mto, principalmente do final. Ficar com um olho aberto e o outro observando o interior
ResponderExcluir*_*
Bjoss
Deyse, esses dias eu tava lendo Divã, da Martha Medeiros, sabe? Sua postagem me lembrou muito o livro (principalmente o tom confessional).
ResponderExcluirVocê leu? (Não? Leia!) Ela escreve umas reflexões lindas de doer, sobretudo nos últimos capítulos. E tenho que dizer: você não fugiu disso quando disse "um olho aberto, sempre em vigília, e o outro fechado, só observando a beleza que carrego dentro de mim". Me apaixonei completamente!
Beijo.
Ah, o novo visual do blog ficou demais!
ResponderExcluiracho que o problema é que nunca estamos satisfeitos(as) .-.
ResponderExcluirsó aproveita a fase boa ;)'
beijas, moça ;*
adoreio os seus texto... adorei aqui! :D
ResponderExcluirVocê escreve muito bem!
vou até te seguir! *-*
Já leu Divã, da Martha Medeiros?
ResponderExcluirSeu texto me lembrou demais os devaneios da personagem. Se não leu, recomendo!
beijos