quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Rotina

Tem dia que eu me pego um tanto assim.
Um tanto parada no nada e olhando para o nada a fim de atingir uma conclusão que, adivinhe, será um nada mais completo ainda.
Um tanto cabisbaixa e avaliativa, tão rigorosa comigo mesma, como se a vida em si já não tratasse dessa parte.
Um tanto chorona e mimosa, doida por um abraço. Um abraço que não vem; acaba o jornal, começa a novela, todos se recolhem e eu fico ali, sentada na varada; cadê meu abraço que ainda não chegou? Está dobrando a esquina, parou para conversar com o vizinho... Mas cadê meu abraço que ainda não chegou?
E tem dia que eu me pego um tanto assim.
Um tanto feliz. Sem motivo, preceitos, conceitos ou quaisquer razões. Mais feliz que manhã ensolarada, mais sorridente que gota de chuva no calor, mais em êxtase que sabiá quando aprende a assobiar.
Um tanto que excessivamente corajosa. Hoje eu vou ser mais eu e nada me impede! Hoje eu construo meu império, ergo meus muros, coloco grades na janela... Hoje eu me fecho, me tranco, me viro, me escondo, me escureço. Hoje me esquecem.
Tem dia. Tem dia que sou tudo, tem dia que sou nada, tem dia que sou meio.

Tem dia que não sou.

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