Ah, nem é tão ruim assim. O máximo que pode estar acontecendo aqui sou eu me assistir afundar em mais um dos meus melodramas mexicanos, como sempre, dignos de filmes de final feliz e muito brigadeiro tarde da noite.
Eu tenho que admitir: já estive pior, então nem adianta tentar me fazer de coitadinha, principalmente para mim mesma. É... Já tentei me matar, já pensei em fugir de casa, perdi a conta de quantas vezes atingi a porta do meu quarto com objetos inúteis, tão frios quanto o meu coração foi se tornando. Agora, eu incorporei a dor ao meu dia-a-dia. E não me interessa se deixo transparecer no meu olhar o buraco da minha alma; o fato é que só assim consegui parar de viver nessa guerra interna que parecia não ter fim.
Parar de arrastar correntes, de visualizar calvários, de traçar causas da morte – e só esperar por isso tudo – me faz um bem danado; não causa o desânimo de quem desistiu, muito menos a ira de quem foi vencido. Traz a serenidade, a conformação de quem sentou no sofá da sala e virou espectadora de uma vida inventada.
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