Olhei a minha figura esquelética no espelho e não sabia o que sentir. Talvez não estivesse à altura de qualquer sentimento; meu coração pobre hoje chorava, mais que qualquer outro tristonho no mundo, por ter perdido você. A brisa vinda do mar exalava seu cheiro no ambiente, seu perfume intrínseco em cada profundidade do meu ser. Cada palavra pronunciada por teus lábios, hoje vagava como sombras em minha mente, pestanejando dúvidas, chovendo reclusões. Eu respirava uns ares pesados, que entravam em meus pulmões rasgando todo o meu interior, fatiando cada parte minha que, relutante, ainda tentava se manter inteira. A luz que irradiava do sol, quase poente, queimava-me os olhos, passava por minha retina como a verdade pura e dura que em minha face cuspia a solidão, já tão óbvia que chegava a ser repetitiva. E o mar em meus pés, ah, o mar. Este era o que mais doía, de todos os motivos, por atingir a base de todo o meu eu que já não existia mais. Balançava toda a estrutura, pertinaz, insistente arma corpórea que persistia em existir, quando porque já não havia mais.
Você partira. E não havia nada que eu pudesse fazer a respeito, a não ser conferir minha alma em um choro eterno; jogá-la em oceanos límpidos, para que a lavassem e, talvez se resgatada, fosse capaz de se entregar novamente.
Você partira. E não havia nada que eu pudesse fazer a respeito, a não ser conferir minha alma em um choro eterno; jogá-la em oceanos límpidos, para que a lavassem e, talvez se resgatada, fosse capaz de se entregar novamente.
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