sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Palavras de um cético

Então, se existe um deus, ele que me ache. Ele que venha até me mim e peça-me perdão pelos os dias de esquecimento, por todas as mágoas vãs que hoje racham meu coração de forma irregenerável. Ele que se ajoelhe a meus pés, mestre da sátira, e me responda tantas indagações das quais estou lotada, esperando para despejar culpas e acusações. Ah, é, e se existe um deus, ele que se atreva. Duvido muito, digo logo: me curvei diante de menores, fui subjugada em um mundo de trevas e, ainda sim, obrigada a sorrir em face dura, transparecer confiança onde só existia um vácuo. Então, se existe um deus, ele que se prove como um tal. Ele que seja impetuoso e venha até mim, arqueado, satisfeito por sua tirania da felicidade. Se existe um deus e se o mesmo é justo, ele me deve isso. Deve-me a explicação de, porquê? Eu, isso, desse jeito? E nesse dia eu direi: escolheste a mim, prova de como podes ser cruel e impuro da áurea que o cerca. E eu provei que és perfeito mesmo sem quereres: eu, criatura tua, fraca como um peixe em lago seco, respirei em chamas. E sobrevivi.

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